sábado, 6 de abril de 2013

O HOMEM DO FURO NA MÃO E NOSSAS HISTÓRIAS!

Durante o primeiro trimestre, estamos lendo o livro O homem do furo na mãe e outras histórias, de Ignácio de Loyola Brandão. 

A leitura da obra provoca-nos à reflexão de como é importante tomarmos consciência de nossos pensamentos, sentires, quereres e porquês, a fim de não perdermos o estranhamento necessário ao nosso estar-no-mundo.

Nesse sentido, a turma produziu contos fantásticos cujo tema foi a necessidade de tomarmos consciência de que somos parte da natureza e de que, também por isso, devemos respeitá-la.

Boa leitura!



O HOMEM QUE ENFRENTOU O MAR

José era um homem que não gostava de trabalhar e, diferentemente de todos os moradores de sua rua, não se preocupava com o meio ambiente. Todo o seu esgoto caía no mar.

Os peixes, camarões, águas-vivas, tubarões, cavalos-marinhos, estrelas e todos os seres do mar estavam indignados, pois os mais velhos e mais novos morriam. Todos estavam doentes.

Era segunda-feira. José acordou, foi ao banheiro, colocou a roupa e foi encher a cara no bar da esquina.
Enquanto isso, no mar, o chefe, o tubarão, reuniu todos os seres marinhos e falou:

− Temos que acabar com isso agora! Já estou cansado! Todo dia morre alguém. Todo dia esse mar fica mais sujo, cheio de fezes! Vamos fechar o cano com pedras e areia; assim, esse cocô vai voltar para o seu lugar de origem!

E assim fizeram; o cano fechou-se.

José estava no bar com a sua cerveja, enquanto, pela privada de sua casa, só saíam fezes: suas próprias fezes.

O mar já estava limpo. Todos já estavam sãos. As baleias e as estrelas cantavam e os peixes e tubarões dançavam. A festa no mar não tinha hora para acabar.

Já de noite, completamente bêbado, José decidiu voltar para casa; no caminho, ele via no chão desenhos de seres do mar em pedras portuguesas, pois ali estavam todos seres que matara. Procurava a sua casa. Andou umas dez vezes pela sua rua e não conseguiu encontrá-la. Seu lar tinha virado fezes.

(Angela Blanco)


O HOMEM QUE TINHA CABELO DE PLANTA

Era um dia como outro qualquer, e, como de costume, o homem foi trabalhar, mas, antes, ia passar no trabalho de sua mulher, que saía de casa mais cedo, para lhe entregar umas flores.

Sem tempo, lembrou que passava sempre por um jardim, resolveu arrancar algumas flores para sua esposa. Após entregá-las, chegou ao seu trabalho, de onde saiu cansado, horas depois.

Preparou o jantar, tomou banho e foi dormir com sua mulher, como fazia sempre, porém, aquela não era uma noite comum.

De madrugada, ouviu uns barulhos bem altos e resolveu ir ao quintal ver o que estava acontecendo. Chegando lá, começou a escutar vozes, que diziam:

- Tenho certeza de que ele mora aqui!

- Eu acho que não!

Quando o homem se virou, tomou um susto e perguntou:

- Vocês falam?

- Sim, e viemos aqui tirar satisfação por você ter arrancado parte de nossa família! -dizia uma flor.

- Ah! Aquelas florzinhas? Não vão fazer falta. - disse o homem.

- Não fazem falta para você! Imagina se todos pensassem dessa maneira, não teria nenhuma flor. - falou a árvore.

- E o que vocês vão fazer?

- Queremos que replante o que você arrancou!

- Eu não vou replantar nada! Tenho mais o que fazer! - disse o homem, virando as costas.

No dia seguinte, acordou sentindo algo estranho na cabeça e, quando se olhou no espelho, estava careca. Indignado, ficou se perguntando por que aquilo teria acontecido. Sua mulher também achou estranho, mas, mesmo assim, o homem seguiu sua rotina normalmente.

Estava trabalhando e um amigo perguntou:

- O que é isso na sua cabeça?

- Isso o quê?

E, quando se olhou novamente, não estava mais careca; no lugar de seu cabelo, havia plantas.

O homem nunca mais foi visto. Alguns dizem que estava envergonhado por causa de seu “cabelo”; outros, que a natureza o sugou.

(Beatriz Rezende)


O HOMEM QUE VIROU PEIXE

Numa cidadezinha muito distante, havia um homem que vivia poluindo o mar. Ele não sabia o mal que estava fazendo à natureza. Vivia sozinho, pois todos não gostavam do jeito que tratava o mar.

Num belo dia, resolveu ir a praia, todos haviam sumido, pois não gostavam de sua presença. Quando menos esperava, o homem começou a ouvir um canto muito bonito e se encantou, procurando a dona daquela voz.

Quando entrou no mar, viu uma sereia, a mais bonita do mundo, e se apaixonou por ela, como um amor à primeira vista. Ela quis mostrar para o homem todo o mal que ele estava causando ao mar

Dando-lhe a mão, a moça o levou até o fundo do mar, onde ele pôde ver o mal que tinha feito. Sentindo-se culpado, perguntou como poderia desfazê-lo e ganhar o coração da nobre criatura.

A sereia, achando que ele tinha se arrependido de verdade, disse-lhe que poderia tentar falar com seu pai, pois este teria uma solução. Nesse momento, ela percebeu o que tinha acontecido: havia se apaixonado por um humano.

O homem foi falar com o pai da sereia e se declarou, dizendo que a amava e que não conseguiria mais viver sem ela. Matar-se-ia se a perdesse. O pai deu a mão da filha ao homem, sob a condição de que este não mais maltratasse o mar, tornando-se seu guardião.

O homem virou, então, um peixe que protegia a vida marinha. E viveu feliz pra sempre ao lado da sua sereia.

(Fernanda Barbosa)

O HOMEM QUE RENASCEU

Mais um homem ignorante no planeta. Era isso que ele era. Só mais um entre tantos outros. Um homem que trabalhava em um escritório, que vestia um terno cinza e morava em um apartamento pequeno, assim como todos os outros. Um homem que possuía cabelos negros e olhos da mesma cor, assim como os outros. Um homem que não pensava no que fazia, apenas fazia sem se questionar o porquê daquilo, igual aos outros homens.

Era começo de primavera (não que alguém ligasse para isso) e esse homem estava se preparando para ir trabalhar. Ele foi andando até o escritório. Era um dia nublado e ventava bastante. Pouco antes de chegar à empresa, olhou para o chão acimentado da cidade onde morava e se deparou com uma forma esquisita. O homem ficou encarando aquela coisa cujo nome não sabia.

- O que é isso? - o homem perguntou, enquanto se abaixava para olhar mais de perto.

A estranha forma vinha do chão, perfurando-o. Possuía uma espécie de vareta verde-claro e, depois da vareta, no meio, havia mini-almofadinhas amarelas e, em volta destas, um tecido fino e roxo; na verdade, havia vários tecidos de vários tamanhos e tonalidades de roxo em volta das almofadinhas. O homem ficou maravilhado com a estranha forma colorida na sua frente. “Tão pequena... Será frágil?” O homem estendeu o dedo para tocar a forma. O tecido roxo lembrava veludo, e, ao mesmo tempo, era úmido. As mini-almofadinhas eram fofas e grudavam no dedo do homem. A vareta verde-claro não era tão dura quanto ele achava que era. “É flexível!”- o homem exclamou, encantado com a figura pequena. “Olhe!” - ele puxou a primeira pessoa que vira. Uma mulher. Apenas mais uma mulher ignorante no mundo.

- O que é isso? - a mulher perguntou, encarando a estranha, pequena e colorida forma no chão.

- Eu não sei, mas sei que é lindo! - o homem respondeu, entusiasmado. A mulher não retrucou, estava ocupada demais analisando a bela forma que corrompia os padrões existentes. “Eu acho que já vi isso antes...” - a mulher deixou escapar. O homem voltou a analisar a forma e, por um instante, teve a impressão de que também já havia visto aquilo.

- Acho que é uma... - o homem não se lembrava do nome daquela forma.

- Uma flor! - a mulher exclamou.

- Mas, espera, elas não estavam extintas? - a mulher lembrou.

- Estavam... Mas se estavam, como essa chegou aqui?

- Não sei, mas alguma coisa me diz que aqueles homens não gostaram de tê-la visto.

A mulher apontou para dois homens que caminhavam até eles, com caras nada amigáveis.

- Devo pegá-la?  - o homem perguntou, aflito.

- Hum... Sim! Pegue-a!

O homem retirou com cuidado a flor da terra que estava sob o cimento e começou a correr com a mulher ao seu lado. Os outros homens correram atrás deles e, de repente, mais meia dúzia de homens começaram a correr atrás deles também. E mais e mais homens começaram a aparecer e o homem e a mulher foram ficando encurralados. Não havia mais para onde ir e, por fim, foram cercados em uma praça.

- O que faremos? - a mulher perguntou, desesperada.

- Protegeremos a última flor até a morte! - o homem gritou.

Ambos, mulher e homem, se abraçaram em torno da mão deste, que segurava a flor. E, no momento seguinte, pôde-se ouvir um estrondo e ver-se um clarão.

No lugar do homem e da mulher protegendo uma flor, surgiram duas flores: uma azul e outra rosa. Duas flores gigantes, que podiam ser vistas de toda a cidade. E, no meio dessas duas flores, se encontrava uma flor roxa.

(Isabel Macedo)



O HOMEM QUE OUVIU A NATUREZA

Carlos era um homem como outro qualquer: trabalhava, morava sozinho e era solteiro. Só havia uma coisa diferente nele: não ligava e nem respeitava a natureza. Carlos detestava a ideia de ter que jogar lixo na lixeira, por isso, não jogava.

Sua frase principal era: “Um lixo a mais ou a menos não faz diferença”. E era por isso que sempre jogava seu lixo na rua. Seu
s amigos o alertavam, falando que não se devia fazer isso, porém, ele fingia que não escutava.

No que parecia ser um dia qualquer, Carlos voltava para casa pela mesma rua deserta de sempre, na mesma hora de sempre. De repente, viu uma sombra atrás dele, virou, mas não havia ninguém, só lixo na rua. Voltou a caminhar. Ouviu um barulho e, quando se deu conta, uma enorme “mão de lixo” o suspendia no ar.

Ele gritava, mas era tarde da noite, todos estavam dormindo. Carlos percebeu que o que o segurava era uma “criatura de lixo” e, quando olhou mais perto, percebeu que a “criatura” era feita de seu lixo! Em seu corpo, encontrava-se a lata de Coca-Cola que tomara de manhã: estava riscada e meio amassada como havia deixado.

A “criatura” vociferou:

- Carlos, eu sou feita da sua falta de responsabilidade e respeito com a natureza. Sou feita de todo o lixo que, um dia, você jogou na rua.

- Mas como? “Um lixo a mais ou a menos não faz diferença”- disse Carlos.

- Faz sim. Você sempre pensou que não, mas, após anos de você jogando lixo, eu fui formada – disse a criatura.

- Desculpa, não sabia que minhas “pequenas” atitudes podiam gerar um efeito tão devastador - retrucou Carlos, gaguejando.

A criatura o soltou e, de repente, foi embora, mas tudo que ele aprendeu continuava na sua mente.

Desde então, Carlos nunca mais jogou lixo na rua e, hoje, sempre alerta quem o faz. Percebeu, assim, que “pequenas” atitudes têm grandes efeitos.

(Juliana Holanda)


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